Sociedades Secretas: O Início
Wiegraf em Daster
Wiegraf chegou em casa e deitou em sua cama, apenas para poder descansar, e não porque fosse dormir.
Ficou pensando na morte dos cavaleiros brancos, com um único golpe do cavaleiro negro.
Aquele que visse aquilo ficaria estarrecido e não poderia sair do lugar durante horas. Mas Wiegraf, misteriosamente, fora movido por uma força estranha, e saiu de lá.
A força o fez se mover logo depois que o cavaleiro sumiu, e andar tranqüilamente pela rua, como se nada tivesse acontecido. Andava lentamente, assim como alguém anda quando não tem nada para fazer, ou quando vai para a casa do amigo para jogar uns joguinhos de computador. Ele não podia controlar seu corpo: o corpo movia-se sozinho! Wiegraf fazia esforço para parar. O corpo não obedecia. Lembrou-se dos filmes de terror que assistia às vezes, em que a personagem principal perdia o controle do corpo e saía matando um gato, depois um homem, e depois uma família inteira, sem saber o que fazia.
Ficou horrorizado com aquela lembrança. Então, pensou em enganar o próprio corpo. Fez uma força tremenda para levar a mão à testa(o que sempre fazia quando estava cansado), e , com uma grande surpresa, seu corpo parou na mesma hora.
Talvez porque aquela era uma reação imediata do corpo dele. Pensou em voltar correndo para casa, mas aquilo era desnecessário, pois estava muito cansado, e ele poderia chegar em casa fazendo muito barulho com o andar fatigado e a respiração forte. E se ele acordasse um de seus pais, estaria tudo acabado.
Então ele foi indo normalmente, até que encontrou um gato na calçada em que andava. O gato era um gato comum, mas com o tempo, Wiegraf Tales não pensou mais isso. O gato tinha mais ou menos um metro de comprimento. Tinha olhos vermelhos como sangue. As pupilas do gato eram verdes. Wiegraf ficou entretido com aquilo. Mas não parou para olhar. Sabia que seria muito arriscado. Mas não adiantou nada pois o gato começou a segui-lo. O gato andava rápido, e Wiegraf teve que andar mais rápido para fugir do animal. Estava quase correndo quando percebeu que o seu perseguidor sumira. Ficou tremendamente aliviado. Parou por alguns minutos, a fim de recuperar o fôlego. Depois continuou no mesmo passo que andava antes de encontrar o gato. Quando chegou em casa, teve o cuidado de tirar os sapatos que tinha calçado às pressas, e levá-los com as mãos. Segurou os sapatos com uma mão, e com a outra ele trancava a porta, sem o menor ruído.
Subiu a escada que conduzia a seu quarto nas pontas dos pés, e passou o quarto dos seus pais lentamente, com a porta à sua esquerda, e andou lentamente até seu quarto, que era a última porta à direita de quem subia a escada.
Então ele sentou na cama, e depois deitou, mas não adormeceu. Pensou em tudo que acontecera a ele até aquele momento, e pensou que ele era uma pessoa muito azarada. Sabia que não podia contar a ninguém sobre o acontecimento, e, mesmo que contasse, quem acreditaria?
No dia seguinte, Wiegraf estava na escola, estudando como se nada tivesse acontecido. Seu melhor amigo, Dantes, estava percebendo que Wiegraf estava um pouco nervoso aquele dia.
-O que aconteceu Wiegraf?-perguntou ele.
-Hã?Ah, me desculpe, estava fazendo a atividade. O que você quer?-repondeu Wiegraf, largando a caneta.
-O que há com você hoje?
-Nada, nada!-disse ele, agitando as mãos- Estou em perfeiro estado...
-Ha, ha, ha! Até parece que eu não conheço você. Alguém vai bater em você?
-Não. Se eu te contar você você promete que não vai rir?
-Prometo.-respondeu o outro, com um ar bem sério.
- No intervalo eu te conto.
No intervalo, eles saíram do alcançe dos outros colegas, e Wiegraf contou a Dantes toda a história. Para a surpresa de Wiegraf, Dantes ficou muito sério.
-Wiegraf-disse ele- o que vou te contar agora é um segredo que não poderá ser contado para outra pessoa em hipótese alguma: eu sou Dantes II, filho de Dantes, o Grande, rei de Daster.
-Hmmmmmm....... Você está me zoando. Mas tudo bem, eu entendo.
-Não, de jeito nenhum! Eu posso te levar para Daster.
-Então me leve se for verdade.
E então, o que Wiegraf menos esperava que acontecesse, aconteceu. Dantes ficou sério por um instante, e depois ele nem mais parecia o melhor amigo dele. Então ele viu no chão, um círculo, com alguns símbolos estranhos em volta, e dentro havia um hexágono ao contrário. Se você não souber o que é isso, é só imaginar um triângulo. Agora imagine outro triângulo, só que de cabeça para baixo. Agora imagine os dois juntos. Pronto. Esse era o símbolo.
Dantes estava em cima do círculo, e suas mãos estavam unidas, como se estivesse rezando. Aparentemente, apenas Wiegraf via o que estava acontecendo.
Então, o círculo começou a aumentar para fora, e logo Wiegraf estava dentro dele.
-Este é um círculo de isolamento-disse Dantes- Ele fará com que todo o tempo terrestre pare e apenas o que estiver dentro deste círculo vai continuar andando.
-Como assim?-perguntou Wiegraf.
-Bom, pense que o tempo vai parar. Agora pense que você pode controlar o que você quer que continue normal, que não pare no tempo. É isso que acontece quando eu uso este círculo.
-Entendo. Mas e o movimento do planeta? Ninguém vai perceber o que aconteceu?
-Seu bobo, minha técnica para o tempo, e para os movimentos do planeta em que me encontro também. Isso congela a Terra no tempo. Ela não vai girar em torno de si mesma nem em torno do Sol.
-Ah, bom. Então pode começar.
-Detento!(Parada)
Então, todos os presentes congelaram no tempo. O círculo sumiu lentamente. Eram somente os dois em todo o planeta.
-Bom, isto é tudo-disse Dantes-,agora podemos ir para Daster.
-Sem querer complicar as coisas, mas onde é Daster?- indagou Wiegraf.
-Daster é um local que fica no planeta Saturno. Lá é tudo gasoso, mas há um local onde existe um portal, que leva a Daster.
-E como se chega a este portal?
-Através de magia das espadas, é claro.
-Como assim?
-Veja- e logo em seguida retirou uma pequena adaga do bolso- Tansmutes(Transforme)!
A adaga começou a crescer, e logo era uma espada. Uma linda espada, com rubis no punho, e uma lâmina dourada, meio curva.
-Esta-começou Dantes- é a Katana da Cura. Ela tem o poder de curar qualquer ferida, se a pessoa estiver viva.
-Que legal.
-Vamos para Daster agora. Minha katana também tem outros poderes. Tresto(transporte)!-e tudo ficou escuro.
Logo, tudo começou a ficar sufocante, e Wiegraf percebeu que não havia mais ar. Prendeu a respiração, e abriu os olhos. Era tudo muito confuso, mas ele podia nadar no ar. Viu confusamente, que Dantes o puxava para algo brilhante, parecia uma porta, sim, uma porta. Dantes retirou a katana da bainha, e a apontou para a porta, e a porta brilhou ainda mais. Então, Wiegraf pensou estar passando pela porta, e depois, parece que ele adormeceu.
Quando acordou, viu que estava numa cama, e Dantes estava ao lado dele. No quarto em que se encontrava, havia umas espadas penduradas na parede, e uma mais bonita ainda, com as palavras escritas na bainha: Bens Katans Lux. A bainha era negra, e as letras eram douradas. O punho era cravejado de diamantes, que brilhavam à luz da vela acesa naquele pequenino cômodo. Não resistiu e retirou a espada da bainha. A lâmina era verde clara. Era tudo tão bonito que ele não conseguia parar de olhar a espada. Mas logo teve que parar com a brincadeira, pois um homem alto, de olhos verdes, com um anel azul adentrou no quarto e olhou severamente para Wiegraf, e depois disse:
-Uma dessas espadas era do Rei Dantes I. Não mexeria muito se fosse você.
-Por que, era?
-Porque ele se foi...- e abaixou a cabeça. Depois de uns dois minutos de silêncio, Wiegraf falou:
-Dantes já sabe?
-Ainda não.- e baixou a cabeça novamente. Neste momento, Dantes acordou.
segunda-feira, 17 de novembro de 2008
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